domingo, 23 de janeiro de 2011
Ao final, o fim
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
a volta da boneca pródiga
Dizem que Baby-Doc desviou US$ 100 milhões. Quanto será que ele ainda tem? Ladrões não costumam economizar. Vivendo como um príncipe na costa mediterrânea nos últimos 25 anos, não acredito que tenha sobrado muita coisa na conta do sr. Duvalier. Se isto é verdade, a sua única chance de sobreviver é voltar ao único ofício que aprendeu na vida: o roubo. Daí a o retorno ao Haiti do seu filho mais ilustre. Esta é uma prova que vodu não passa de uma invenção de algum fabricante de bonecas, nem eliminar esta peste ele conseguiu.
A Tunísia não é logo ali
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Esta hipótese de que o governo caiu pois o ditador não tinha nenhum governo externo para culpar pelos problemas internos é no mínimo, leviana. Ridículo acreditar que pessoas insatisfeitas por estarem desempregadas voltariam a suas casas pacificamente com uma desculpa destas. Melhor se informar direito antes de fazer especulações infundadas.
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A ele, Chakra respondeu:
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Sergio, este foi o argumento usado no Irã para realizar contra-manifestações em 2009. E funcionaram bem. Atos gigantes a favor do governo foram convocados. O Ben Ali não poderia agir da mesma forma. E tudo bem você discordar (isso é blog, não tese de PhD), mas seja um pouco mais educado
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Ou seja, escrever num blogue nos dá o direito de propagar idéias equivocadas, afinal, blogue não é tese de doutorado. Além disso, quando o blogueiro escreve algo errado, nós podemos "discordar", mas nunca dizer: "está errado", pois isto constitui uma violação das regras do convívio social.
notícias
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Chove na horta em janeiro
Muitos empregos serão gerados, e os cidadãos ficarão bastante satisfeitos. Algumas pessoas morreram, mas a gratidão dos sobreviventes com os seus salvadores será mais do que suficiente para garantir a próxima eleição. A comoção gerada por uma criança morta ou um idoso desenterrado vivo são ótimos para fomentar o patriotismo, e as religiões também ganham mais alguns prosélitos, seja pelos atingidos direta ou indiretamente, seja pelos tele-compassivos. Ou seja, só mesmo alguém muito fora da realidade para imaginar que existe interesse extra-retórico de quem quer que seja em acabar com as enchentes de janeiro. Até as próximas, se deus quiser.
sábado, 8 de janeiro de 2011
Alckmin: o bom samaritano
Bye Bye, Cartum

Neste domingo ocorre um plebiscito sobre a secessão da região sul do Sudão. Esta região de religiões cristã e animista pretende separar-se do norte predominantemente muçulmano. A foto mostra um dos símbolos da campanha pela separação, uma mão acenando um adeus a Cartum, a capital.
Este tipo de evento sempre suscita uma discussão sobre liberdade, pois o sul sudanês diz-se explorado pelo norte. Países grandes como o Sudão, cujo território é cerca de 30% do brasileiro, são melhor descritos como um império que como uma república: um determinado grupo controla o estado, cujo interesse não é o bem-estar da população, mas sim o enriquecimento deste e dos seus controladores. Esta situação é mais difícil de ser mantida em estados pequenos, onde a população está mais próxima dos governantes.
O Brasil possui uma analogia com a situação sudanesa. Como tal, é um país imenso, com muitas realidades diferentes e um povo cuja única identidade é a língua. As dimensões do país desfavorecem o contado da população com os seus representantes, que consideram-se uma espécie de nobreza. Nesse sistema político, as populações nunca estão satisfeitas. Os estados mais ricos dizem sustentar os mais pobres e estes se dizem explorados pelos mais ricos, um paradoxo onde todos se dizem explorados, mas na realidade todos são vítimas de um único explorador: os políticos. Quem sabe um dia as populações dos estados brasileiros poderão tomar consciência da sua condição de explorados e dar um adeus semelhante à Brasília.
domingo, 2 de janeiro de 2011
Dilma, a presidenta muita competenta
No conteúdo dos discursos a sua forma a falta de inventividade fica patente. No primeiro deles, no plenário da câmara dos deputados, Dilma repetiu promessas eleitorais. Não foi capaz de traduzir as metas de crescimento econômico e reformas legais em valores. É de esperar-se que os valores, que são os fins, precedam as ações, que são os meios. Dilma não sabe disso, ou não é capaz de relacionar as duas coisas. Ao ar livre, no parlatório e dirigindo-se diretamente à população ali presente, repetiu trechos inteiros do discurso anterior. Ou seja, no primeiro discurso não conseguiu dizer nada do que já não tenha dito e no segundo não conseguiu sequer dizer as mesmas coisas de outra forma. Além da má qualidade dos textos, é oradora inconstante, interrompe o discurso para pensar e transmite uma sensação de insegurança. Decididamente esta senhora não tem o dom da palavra.
Outra evidência da falta de imaginação de Dilma está num pequeno detalhe, ela chama-se de presidenta e não presidente. Mais uma vez, uma cópia. A polêmica do uso do termo já existe com a presidente Cristina Kirchner da Argentina, que também quer ser chamada de presidenta. Meu léxico on-line me informa que o vocábulo existe, mas tenho uma certa má-vontade com ele. Me explico: presidente vem do verbo presidir, e é aquela pessoa que preside, assim como amante é quem ama, estudante quem estuda, assistente quem assiste, etc etc. Por esta razão não dizemos amanta, estudanta ou assistenta. Esta forma tem origem no antigo particípio presente do latim, que é algo assemelhado ao gerúndio, uma forma que transmite a idéia do tempo presente. Esta sensação também pode ser obtida de adjetivos com terminação semelhante à dos substantivos supracitados, como constante, incessante, atuante, retumbante, etc. Podem dizer que este é um fato irrelevante, mas em certos detalhes é possível observar algo que se queria ocultar. A primeira coisa é o boato de que Dilma seria uma pessoa de grande cultura. Duvido muito, pessoas cultas normalmente conhecem sua língua com alguma profundidade, o que parece não ser o caso. Isto também pode ajudar a entender a preferência de Lula por Dilma. Ignorantes como Lula não têm muita afinidade pelos cultos e se ele escolheu Dilma para ser sua sucessora, talvez eles tenham mais em comum do que pareceria numa primeira observação. Um segundo problema é a superstição que está embutida no uso da linguagem. Supersticiosos acreditam no poder sobrenatural das palavras, mesmo das que vêm desacompanhadas de ações. Talvez algumas feministas acreditem que o uso da palavra presidenta tenha a capacidade de inculcar na cabeça de quem a ouve a idéia de igualdade gêneros, algo característico da palavras-mágicas de contos de fadas. Finalmente, a insistência de Dilma em chamar-se de presidenta demonstra seu lado autoritário, pois indica que Dilma acredita que o cargo que provisoriamente ocupa lhe faculta o direito de outorgar leis gramaticais como quem cria impostos. Talvez em breve ela queira mudar também a concordância de outras palavras que atualmente não sofrem flexão de gênero, e então o título desta postagem segue como sugestão para a língua futura.